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A CASA "FASHION" Por:
Cláudia Tarpani
Ainda que a moda seja considerada um fenômeno passageiro, indiscutivelmente tem sua importância por revelar e registrar valores de épocas, traduzidos em roupas. Com a arquitetura e decoração isto não é diferente. Tal qual a moda, o design é uma linguagem que traduz de forma peculiar o mundo em que vivemos e nossa forma de viver. A moda e a decoração têm muito em comum, e não é de hoje, visto que tratam de estilo. Moda, arquitetura, decoração são formas de expressão e influenciam e são influenciadas umas pelas outras. Em Milão, na feira de design e mobiliário, estilistas famosos já foram convidados para desenhar móveis tendo como inspiração as coleções de roupas. Muitas grifes e lojas de roupas lançaram departamentos de objetos e utilidades domésticas, aproveitando desta similaridade e compondo boas parceiras. O que se vê hoje em dia são as chamadas "lojas conceito" onde se encontra de tudo: roupas, livros, objetos, serviços e por trás deles a idéia, estilo e conceito da marca. MODA OU MODISMO? Na década de 90 as pessoas voltaram-se para suas casas. Reunir a família e os amigos, valorizar as coisas da casa: “home theater”, “family rooms”, integrar ambientes e pessoas era prioritário nos projetos. Depois veio a onda dos “lofts”, que tiveram o conceito totalmente deturpado, um bom exemplo de modismo que alguns preferem chamar de releitura. Se eles tivessem aproveitado espaços e construções antigas como a proposta original, teríamos muito a lucrar. Seria a melhor maneira de revitalizar o centro das grandes cidades, uma vez que lá estes prédios já estão prontos em sua forma original. Ao contrário disto, o modismo dos “lofts” nos apresenta construções novas e caras. A quantidade de informações que temos hoje e a infinidade de estilos, formas, cores que nos chegam por diversos meios, exigem de nós, para que tiremos proveito disto tudo, que sejamos críticos. Como filtrar todas essas informações para mantermos a nossa identidade seja no vestir ou para decorar o espaço em que vivemos, é a questão que se impõe.
Tanto estilistas quanto decoradores lançam estilos e ditam novas formas de viver. Pode-se dizer que todos os meios de comunicação nos influenciam. A televisão é um bom exemplo e as novelas são verdadeiras vitrines lançando desde gírias a objetos para a casa. Muitos destes produtos saem de cena com a mesma facilidade com que entraram, são os famosos descartáveis. Outros, de real qualidade permanecem no mercado independente do apelo dos meios de comunicação pois foram feitos para durar. Enquanto a moda é estabelecida, o modismo é um fenômeno eminentemente efêmero, associado ao consumismo. Algumas tendências na decoração se apresentam junto com os lançamentos das grandes tecelagens. Outras, relativas ao design de produtos, se originam do trabalho de setores industriais e há ainda aquelas oriundas de grupos de pesquisa, como é o caso do Comitê Brasileiro de Cores, fundado em 1983, que a cada dois anos, lança uma cartela de cores a ser usada por decoradores, pela indústria, comércio e outros segmentos. O trabalho é conjunto com o Centro de Estudos da Cor para a América Latina, Cecal e o lançamento desta carta de tendências visa refletir o espírito e a cultura do Brasil, Argentina e Uruguai.
QUAIS SÃO AS TENDÊNCIAS? Pode parecer contraditório que em tempos de globalização, num momento em que grande parte das pessoas deseja ser famosa, uma certa discrição e clandestinidade devam voltar a fazer parte do nosso dia a dia. É o que tudo indica. A valorização do simples e do essencial, um não à ostentação, ao supérfluo, à sofisticação dos aparelhos. A busca por produtos deve guiar-se por escolhas pessoais e subjetivas, longe das tiranias das marcas (um trabalho a mais para os publicitários). Após um período de consumo excessivo, de super valorização da aparência e do ego, devemos voltar-nos à valorização da qualidade e de materiais raros e a um certo recolhimento interior. Intimidade, serenidade e comprometimento com nossas escolhas devem ser a tônica daqui por diante.
· Civilex: estruturas metálicas, cores vibrantes e alegres fazem parte desta tendência. Cores como vermelho-cereja, açafrão e verde-pino, que contrastam com os pretos, cinzas e brancos; · Paradisis: materiais como aço e vidro estão presentes no design desta linha com cores predominantes em tons de: giz, aguamarina e os tons do Céu e suas intempéries (luna, carvão, marinho, sulferino);
· Lácquaris: as tonalidades furta-cor das escamas dos peixes saem das águas para colorir tecidos, plásticos, tintas e outros revestimentos. As cores são as das águas escuras do fundo do oceano: tonalidades azuis e verdes, contrapondo com as cores vibrantes e transparentes com o toque contrastante das tonalidades das escamas dos peixes como as escamas dos animais marinhos. Sulferino, verde-maçã e açafrão; · Dwarka: a sensualidade e a riqueza do ritual Indú inspiram a transpor os limites do ornamentalismo. A composição de florais e geométricos invadiu os tecidos, com forte apelo para as transparências. Cores como verde-pino, marrom-café e bronze fazem parte desta tendência, que tem a madeira natural, a pedra preciosa, as tatuagens como tema de inspiração.
Isto é relativo. A moda tem um ciclo de vida com quatro estágios que vão da inovação passando pela imitação, pelo uso em massa, quando se torna o mais popular possível e finalmente chegando ao declínio. O que varia é o tempo que cada estágio pode levar, alguns mais, outros menos. Em roupas a moda muda de seis em seis meses. Com a decoração este tempo é diferente e as tendências demoram mais para se renovar. Enquanto para vestir temos coleções a cada estação, na decoração em geral uma tendência permanece por um período bem maior, em geral, dois anos no mínimo. Apesar desta diferença no tempo, os mesmos fenômenos acontecem nas duas áreas: cores vibrantes, excesso de brilho e visual exagerado da década de 80 considerados "bregas", voltaram à moda e atualmente são “fashion”; de outro lado, um pinguim de geladeira, antes cafona, tem seu lugar na decoração e ganha um ar divertido sendo hoje símbolo absoluto do “kitsch". Encontrar um bom termo para o modismo de forma que ele possa ser considerado “fashion” é questão de bom senso e bom gosto. Assim como para nos vestir devemos priorizar o conforto e escolher peças com as quais nos identificamos, uma casa com a nossa personalidade, com peças de qualidade, com decoração planejada e acessórios duráveis com toda certeza é a escolha mais acertada a fazer.
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