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DESIGN UNIVERSAL Por:
Cláudia Tarpani
Na década de 60 falava-se em “desenho livre de barreiras”. Mais do que removê-las a ideologia pregava o cuidado para que elas não viessem a existir. A evolução deste conceito originou o que hoje chamamos de desenho universal, conforto e acesso ao alcance de todos, sem preconceitos e considerando a diversidade humana. O QUE É? O design universal prega a inclusão, em oposição às soluções estigmatizantes, destinadas a grupos específicos, como pessoas com incapacidades ou idosos. Objetiva desenvolver soluções que possibilitem que todos as utilizem. Segundo este conceito, o design de produtos e de meios físicos deve atender igualmente a todos sem a necessidade de criar adaptações específicas. Na prática isto representa a simplificação da nossa vida pois possibilita que produtos e construções possam ser utilizados por um número cada vez maior de cidadãos, sem custo adicional, atendendo a pessoas de todas as idades, estaturas e capacidades. QUAIS SÃO OS PRINCÍPIOS DO DESIGN UNIVERSAL? Se consideramos isoladamente cada etapa da nossa vida podemos pensar que em algum momento dela todos nós experimentaremos algum tipo de dificuldade na utilização de um produto ou no acesso a algum ambiente. Uma criança não consegue alcançar o botão do elevador. Por outro lado, um idoso pode encontrar dificuldade em subir uma escada se não tiver onde se apoiar. O design inclusivo visa minimizar estas dificuldades concebendo produtos, serviços ou ambientes que atendam a todos e para tanto fundamenta-se em 7 princípios:
1. uso equitativo: estabelece que os produtos sejam úteis e vendáveis a pessoas com diversas capacidades proporcionando a mesma forma de utilização a todas elas;
2. flexibilidade no uso: deve atender a uma ampla gama de indivíduos, preferências, habilidades e capacidades individuais, possibilitando que se escolha a forma de utilização mais adequada;
4. informação perceptível: estabelece que a comunicação da informação seja eficaz, através de diferentes modos (pictográfico, verbal ou táctil) para que atenda a todos;
5. tolerância ao erro: determina que se minimize riscos e reações adversas no caso de acidentes;
7. tamanho e espaço para aproximação e uso: determina que o tamanho e espaço para aproximação, alcance, manipulação e uso sejam adequados, independente do tamanho do corpo, postura ou mobilidade.
E O CUSTO? Um ambiente acessível é melhor e mais seguro para todos, mas tem geralmente seu custo questionado. Entretanto o que se observa na prática é exatamente o contrário já que o mais caro é adaptar um espaço e nem sempre isto é possível. Por isso é importante criarmos uma cultura e praticarmos os preceitos do design universal. COMO TORNAR AS EDIFICAÇÕES ACESSÍVEIS? O planejamento das edificações deve objetivar que a casa seja segura e acessível em todas as etapas da nossa vida. Veja algumas medidas que possibilitam a acessibilidade em edificações públicas: Pisos: devem ter superfície regular, firme, estável, antiderrapante, livre de barreiras ou obstáculos e inclinação transversal de até 2%. Recomenda-se a utilização de faixas de piso com textura e cores diferenciadas para facilitar a identificação do percurso pelas pessoas com deficiência visual. Quanto aos desníveis, o máximo permitido é de 1,5 cm de altura, e quando superior, necessita vir acompanhado de rampa. A largura máxima admitida para juntas de dilatação e grelhas (canaletas de drenagem) é de 1,5 cm;
Escadas e degraus: devem obedecer às seguintes recomendações:
Corrimãos: a instalação de corrimãos e guarda-corpos contínuos, nos dois lados das rampas e escadas é obrigatória e deve obedecer às seguintes exigências:
Portas: devem atender às seguintes exigências:
Sanitários: devem ser localizados em lugares acessíveis, próximos à circulação principal e devidamente sinalizados com o Símbolo Internacional de Acesso. Nos sanitários e vestiários de uso público, no mínimo 5% do total de cada peça deve ser adequado ao uso de pessoa com deficiência, adaptando-se no mínimo uma peça de cada (para efeito de cálculo, sempre que houver divisões por sexo, os sanitários e vestiários masculinos e femininos devem ser considerados separadamente). O piso deve ser antiderrapante e sensorial. O vaso sanitário deve ter altura compatível com a cadeira de rodas. Devem ter barras de apoio e espaço previsto para a transposição da pessoa da cadeira de rodas para a peça sanitária. A área de transferência deverá ter dimensões de 1,10 m X 0,80 m e poderá ser frontal ou lateral. Os lavatórios devem ser suspensos, sem colunas ou gabinetes, fixados a uma altura de 0,80 m do piso e respeitando uma altura livre de 0,70 m. O sifão e a tubulação devem estar situados a 0,25 m da face externa frontal com dispositivo de proteção. As torneiras devem ser do tipo alavanca. Os mictórios devem ser instalados à altura de 0,46 m do piso e ser providos de barras de apoio fixadas na vertical, com afastamento de 0,80 m, altura de 0,70 m do piso e comprimento de 0,80 m. Não devem ser utilizadas portas vai e vem. Os banheiros adaptados também devem conter o Símbolo Internacional de Acesso. Os boxes com chuveiros devem ser providos de bancos com profundidade mínima de 0,45 m, instalados a uma altura de 0,46 m do piso e com comprimento mínimo igual a 0,70m. “Deficiência é a relação entre as limitações do indivíduo e as barreiras impostas a ele pelo meio ambiente” Cláudia Werneck
Para saber mais:
AARP (em inglês)
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